quarta-feira, 5 de julho de 2017

Tempo (Ou exorcismo)

(Madrugada de segunda feira, 03/07/2017. 00:17)
Nunca pensei que eu poderia querer tanto bem a uma pessoa.
Ao ponto de oscilar entre deixar minha vida inteira pra trás, e ao mesmo tempo, ser tão cuidadosa ao ponto de fazer tudo pra manter a sua vida intacta, a não deixar estragos nos teus planos. Faço como você quiser.
Como eu poderia sonhar tanto com alguém, me satisfazer em cada abraço, suspirar de admiração...
Olhar pra você e saber que eu me deparo com o exemplar mais raro...
Tão precioso pra mim... Tão significativo.
Eu te quero tanto nos meus seios, desmaiado...
Eu quero tanto sentir seu suor pingar em mim, seus pelos grudarem na minha pele, seu calor me invadindo...
Eu desenho cada contorno que meus dedos farão nos seus cabelos. Quilômetros de cafuné.
Eu decoro seu cheiro...
Eu te sorrio de várias formas...
Eu exalo cuidado
Carinho
Admiração
Você, a alma mais preciosa...
Você, a minha contraparte.
Sinto, sonho, desejo que em um tempo, que em um espaço, não importa quando nem onde, nem em qual dimensão, nós teremos nosso "pra sempre".
Nossa cabana.
Viver do seu lado...
Esquecer o egoísmo
Esquecer o medo
Esquecer todas as dores.
Você, meu esconderijo.
Meu homem.
Quero um tempo de limpar suas feridas.
De massagear seus ombros, seus pés, seu corpo inteiro.
Quero um tempo de fazer as rezas mais antigas, os chás que forem necessários, pra curar a sua gripe, as suas dores, os teus temores, te beijar, benzer e te proteger... O corpo e a alma. Cada beijo, uma oração.
Quero um tempo de poder cozinhar as delícias que você gosta. Me esforçar em todos os âmbitos pra te ver sorrir. 
Encher nossa casa com um cheiro de tempero bom... E te ver se saciando.
Quero um tempo de arrumar seu colarinho, antes de você sair, te abraçar pra poder dizer se você está cheiroso, consertar suas meias gastas, pregar os seus botões.
Quero um tempo de acender incensos, ou colocar uma essência de sândalo no difusor, perfumar a casa, assar um peixe em um molho indiano, usar o perfume de jasmim e baunilha que você gosta, vestir meu vestido mais lindo, sem mais nada por baixo, e te esperar pra jantar. Ansiosa pra você chegar.
Quero um tempo de, sem maiores explicações, pegar a suas mãos nas minhas e beijá-las, e acariciá-las com o meu rosto.
Quero um tempo de te abrir a porta só de lingerie preta e provocante. (Foda-se se os vizinhos podem ver... Aliás... na nossa cabana, não teremos vizinhos)
Quero te puxar pela gola da camisa até a cama, sem dizer nada, sem te perguntar sobre o teu dia, ou sobre a rotina... Nem uma palavra... Quero te jogar na cama, abrir sua camisa arrancando os botões ( depois eu os prego novamente), arrancar o seu cinto como um chicote, arrebentar o zíper da sua calça, te arrancar a cueca e subir em cima de você já te colocando em mim. Você, extasiado...
Quero um tempo de acordar de madrugada sentindo você se encostando em mim, já ereto, e poder me esfregar mais ainda em você, te provocando até você arrancar a minha roupa e me penetrar com vontade.
Quero um tempo de estar na sala da nossa casa com você, e quando começar a tocar essa https ://youtu.be/ks02alWbpvk ou essahttps://youtu.be/-C_wz7gfiuI , você me puxar pra dançar de olhos fechados.
Quero um tempo de ficar de mãos dadas contigo, olhando as estrelas na nossa varanda... Você me contando os "causos" da sua infância... Eu, maravilhada, boquiaberta...
Quero um tempo de, sem mais nem menos, eu me aproximar e beijar os seus olhos... 
Sentir a textura da sua pálpebra nos meus lábios.
Quero um tempo de sentir sua semente crescendo dentro de mim. De sentir seu DNA correndo nas minhas veias. Sentindo você em cada célula, em cada poro. Sentindo no meu ventre a semente de amor que você colocou em mim, crescendo, virando uma vida, e você feliz,beijando e acariciando o pedacinho de você que está dentro de mim. ( Lembre-se: na nossa cabana, tudo é possível, meu amor)
Quero um tempo de saber que, por mais que o meu dia tenha sido terrível, por mais que as portas se fechem, por mais que os corações se endureçam a minha volta, no fim da noite, eu terei o seu peito pra repousar, e sua voz me dizendo pra eu não ter medo, pois você cuida de mim.
Quero um tempo de estar distraída lavando louça, e você chegar me abraçando por trás, da maneira mais safada que você sabe fazer, deslizando suas mãos pelos meus seios, pela minha barriga, pelo meu sexo, e eu, de olhos fechados, agradecendo à Deus por ter a oportunidade de te amar e ser amada por você.
Quero um tempo de fazer um cuscuz salgado bem simples, ou um bolo de laranja, com um uma garrafa cheia de cafezinho preto, pra gente poder sentar, tomar um café, e conversar por horas, como se nossos assuntos nunca pudessem acabar.
Quero um tempo de você beijando e mordendo meu ombro, me levantando delicadamente do sofá, pegando minha mão, me levando pro nosso quarto, me colocando na cama, tirando a minha roupa, me beijando inteira... E eu sentindo o prazer de dizer sim a todos os seus pedidos... Te mostrando que o meu jeito de amar consiste nos "sim" que eu te digo, nos teus desejos mais loucos que eu prontamente realizo. A cada vez que eu me deito contigo, você percebe como uma mulher que realmente ama se entrega de verdade. Você sabe. Meu corpo é seu, meu coração você já carrega, e minha alma está ligada à sua.
Quero um tempo de acordar bem cedinho, antes do sol nascer, e passar um tempo infinito, olhando você dormir... prestando atenção aos seus movimentos, os mais leves, e na sua respiração. Perder a noção do tempo acompanhando o ritmo da sua respirando, e agradecendo à Deus pela sua vida.
(Não consegui dormir essa noite.  02:51)
PS: Todas essas coisas não são pedidos. Também não são cobranças
Muito menos são esperanças nutridas pra um agora. 
São coisas que saíram de mim.
São imagens distantes, de um desejo quase que inconsciente...

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Quintal

E agora, após a leitura chocante de textos-profecias que já apontavam sua presença na minha vida, eis que talvez, nós nos buscamos tanto, que finalmente aconteceu.
E hoje, mais que nunca, eu me espanto. Reli predições sobre sua existência, que eu nem me lembrava de ter escrito.
E então, veja só... Você já era realidade sem eu ao menos imaginar.
E o mais assustador: eu te busquei implacavelmente, incessantemente... até que te achei, até que nos achamos...
Obedecemos ao pressuposto quase esotérico de que "quem procura, acha!!!"
Nos achamos...
Nos reconhecemos...
E agora? Te assusta que eu te queira todos os dias?
Hoje eu sei sobre você. e sei que você tem medo de mim...
Ainda canta pro luar?
Estou á beira de um lago e próxima a uma fogueira, onde espero por uma dança.
Por que esperar por alguém que talvez nunca chegue?
O que faria um coração bater, se não fosse a espera?
Também posso fazê-lo parar.
-Parar como?
-Parar de sentir.
-Eu já tentei fingir que é mentira, tentei ser uma atriz, mas não consegui. Isso te assusta?
-Não. Eu gosto de ver. Mas fico pensando no que sente.
Vc buscou o amor, achou a mim, ao céu, às flores...


Sabe o que eu gosto de imaginar?
Gosto de imaginar o dia em que eu te "ver" pela "primeira" vez.
Penso que estaremos em um mesmo espaço. Eu, atordoada e dolorida pela ideia da sua presença, e você, sem desconfiar de absolutamente nada.
Me imagino chegando a esse local com uma desconfiança que não é minha, lutando para me esconder o máximo que posso, assombrada por qualquer pessoa que se aproxime.
É como se todos fossem um pouco de você.
Então, eu me assento, guardo os meus pertences, e me recolho com muito mais cuidado...
Elaboro cada segundo ao me banhar, ao escolher uma roupa, vou me demorando na covardia que posso, até onde me é permitido, afinal, tenho tarefas a cumprir. Tarefas essas onde você estará presente. E eu sinto medo.
E me desfaço de muitas coisas. Não identifico por que, mas a orgulhosa neófita, comumente de vestido preto discreto porém deslumbrante, sorriso encantadoramente vermelho, numa homenagem ao poder vermelho que em mim habita...
Desta vez, essa mesma mulher está de pés no chão, rosto completamente limpo, com um vestidinho simples, que mistura o azul escuro do céu, o tom rosáceo dos fins de tarde, com alguma explosão estelar ou seria uma galáxia, bem no peito... Um cordão no pescoço com uma pequena ágata, os cabelos displicentemente soltos, despenteados pelo vento. Dois grandes vincos verticais  no centro da testa, manifestando uma contrariedade longeva e persistente, só vencida pelo sentido de obediência e necessidade hierárquica que permeia minha vida.
Parte de mim daria qualquer coisa pra não estar ali. Outra parte sentia todos os sentimentos, e o primeiro deles, era curiosidade.
E então meu Mestre me convida a cantar. Eu hesito por três sou quatro segundos, mas lembro da tatuagem da obediência e sigo. A testa ainda com os vincos verticais, eu passo pelos presentes sem olhar nem ver a ninguém.
Chego até a frente,e  ainda sem olhar pra quem me olha, e sorrio pensando na vingança interna, no prazer mórbido que sempre me dava cantar essa música, e te imaginar como o triste rei, morrendo na janela vendo coisas ao luar. Gosto de te imaginar sofrendo.
E entoo a canção como se de mim saísse vida. a minha melhor interpretação.
E quase no final da música, pouco antecedendo os graves, eu olhei. E lá estava você. Ao fundo, em pé, estático, quase escondido, apavorado.
E eu fingia que não te via.
Quando saia da frente, já não te via mais.
E agora, você já conhecia minha presença. E agora? Pensaria que eu vim atrás de você? Provavelmente. O presunçoso que você é. Aí eu sentia ódio. Estava ali obrigada. E agora? Você iria embora? Tinha certeza que não. Eu sentia que, como o rato medroso que você é, você viria ao meu encontro. Quando eu estivesse sozinha, como um rato faz. Sem testemunhas.
E então passadas algumas horas, eu que nesse lugares sempre sou sociável por escolha, por gostar e conhecer gente, estava alí, presa à raiva e ao medo, sentada em um toco de árvore, os dois vincos da testa ainda mais fortes, com um graveto nas mãos, afastada de todos, rabiscando fórmulas matemáticas, letras de músicas e desenhos tristes na areia. Eu estava de cabeça baixa, meu cabelo, sempre mais comprido, caídos como a tristeza, no meu rosto, nos ombros, nas costas, e nos braços.
E então, eu escutei a sua voz. Nesse momento, meu espirito queria era estar do lado de fora, apenas contemplando a cena, apenas sendo narrador contemplativo desse conto, Pela maneira com que eu tenho essa cena gravada na memória, acho que parte de mim saiu para fora, sim.
Você disse duas palavras:
- Finalmente, Senhorita.
Eu quis esconder o rosto, sair correndo, continuar fingindo que tinha sido apenas o vento soprando bobagens no meu ouvido, com sua voz grave.
Mas não. Eu via seu semblante negro, a despeito das suas roupas claras e do seu chapéu panamá.
Eu não queria, mas olhei pra cima mal virando o rosto, e sem parar de mexer na areia, tentando desesperada e ridiculamente não dizer nada, e não demonstrar interesse.
Até o Sol me traiu, nesse momento, fazendo com que eu apertasse um pouco os olhos, trazendo à minha face um semblante levemente risonho, que eu queria arrancar do rosto, substituindo por ódio. O sol ofuscava um pouco os meus olhos, ao que eu tive que colocar a mão na têmpora, para conseguir realmente ver seu rosto, e me senti ridícula e traída até por isso.
A raiva realmente não permitia que eu sentisse vontade de pular no seu pescoço e te abraçar. Talvez alguma menina perdida e aprisionada dentro de mim GRITASSE, IMPLORASSE,   com toda a sua força, por isso, mas eu já estava treinada, e a segurava do tórax para baixo. Essa menina estava presa, contida, amordaçada com sucesso, e não me oferecia perigo.
Eu finalmente te olhei de verdade. Finalmente seu olhos. Estavam apertados demais, em relação ao sorriso contido e meio cínico. Esse sorriso. Era o que doía na alma.
Era o que me dava vontade de chutar a sua cara. Menos mal, eu pensei. Se fosse o outro sorriso, aquele aberto e gigante,  eu teria chorado até morrer. Eu teria gritado, eu teria pulado nos seus braços.
E eu te respondi, num tom que tentava se passar por apático:
-Finalmente...

Eu fiz uma promessa, a alguém muito Importante, certa vez.
Eu completamente ao chão, e Ela, com um dos pés entre a minha cabeça e o meu pescoço.
E Ela me disse: Ele já foi a sua vida, ele será a sua vida, ele já te mostrou o caminho, ele elevou seu patamar, ele abriu seus olhos.
Mas mesmo ciente de tudo isso, mesmo sabendo que o que ele sente é verdadeiro, você vai me PROMETER, vai se  COMPROMETER a NUNCA procurá-lo. Nunca, sob hipótese nenhuma, você irá procurá-lo. Você não irá ao encontro dele, você não falará com ele. Você irá fugir dos lugares em que ele esteja, a não ser que seja ORDENADA por um Mestre a ir ou a contactá-lo.
Do contrário, só falará com ele se ELE  quiser ou te procurar. Não vai mais enviar NENHUMA mensagem, sem antes ele falar contigo primeiro.
Ele precisa de paz para finalizar o próprio caminho. E você dar a ele essa paz é a única condição que eu coloco para que você me sirva.
E eu obedeci cegamente, até este dia.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

13/10 /2016 Segundo Encontro



Estou na Ante Sala do Tempo.
E aguardo ansiosa. É a segunda vez, mas confesso que se fosse a milésima, ainda me sentiria desconfortável, meio inadequada, meio ridícula. Talvez uma aspirante...  Nem iniciante, nem iniciada.
Não sei se mereço esse lugar...
Sou apenas uma buscante...Tal qual criança, mesmo. E Ela é sempre a Mãe Amorosa. E é Amorosa justamente por ser Superior, Divinal, e ainda assim, Amorosa como a brisa. Poder e tolerância nem sempre andam juntos. Mas Ela é Poder com Tolerância e muito mais...
E eu remexia os dedos freneticamente, triturava algo invisível, e enquanto isso, pensava...  pensava.
Eu precisava de uma conversa com ela, dessa vez não era por visões,  precisava de mil respostas, mas eram tantas as perguntas, que eu nem sabia por onde iniciar.
E na verdade, estava era com medo de acabar por não conseguir fazer pergunta nenhuma. E a luta no pensamento era cíclica.
Até que os preparos ficaram mais intensos, e eu fui levada á Sua Presença.
Ao chegar lá, fiquei alguns segundos com medo de não conseguir dizer, e por fim, eu disse, abruptamente:
- Mãe, não sei se posso querer algo, mas se eu puder,  hoje eu não quero visões, não quero sinais. Hoje eu preciso de um caminho. Um caminho para a Abundância, Mãe.
Olhe só para a minha vida, olhe para mim...  Eu tenho tantas necessidades, básicas, imediatas...
Como eu posso conseguir seguir um caminho, tomar conta da minha vida espiritual, e da de outros, se não dou conta nem da minha vida física, material? Eu preciso de Meios, Mãe. Preciso de condições plenas para executar o caminho traçado.

Ao que Ela disse: 
      
Pequena, olhe para si...

O que você viu de você, hoje, pela manhã?

E, de fato, eu lembrei de mim, deitada estava, sentindo pena de mim mesma, e praguejando contra a minha vida. Deixava que o Buraco no Peito tivesse pleno espaço. Sentia-o como uma necessidade. Ele me machucava, mas eu não conseguia largá-lo.

Então, Ela disse:

-Você estava no costume do sofrimento. Criou dentro de si a crença de que o sofrimento é o seu lugar, e que a não ser com uma força, um esforço sobre humano, não conseguiria "sair da caverna". 
VOCÊ ESTÁ ERRADA!!!
Você nasceu para Mim. Você nasceu para a Plenitude, Pequena. 

Nasceu para a Abundância, Mas para isso, precisa se ligar à Mim. 
Você precisa compreender que QUE SOU A ABUNDÂNCIA, e que para desfrutar disso, é necessário estar em Mim. Você não é e nunca foi, nem por um segundo,  uma parte separada de Mim. Você faz parte de tudo que Eu Sou, assim como eu sou cada ínfimo pedaço de você. 
Mas você precisa SABER isso, SENTIR isso, AFIRMAR isso. 

Precisa se imantar completamente à Mim. Como se você já tivesse "voltado  para casa", como se fôssemos Uma, novamente. 
Dessa forma, cada gota no chão, cada ajuntamento específico de palavras ou cheiros, cada coincidência, todos os Sinais... Todas essas coisas serão SEMPRE a condição essencial da Sua Vida, por que Eu estarei Nela. Uma vida repleta em cada minúcia, de bençãos, de pressentimentos, de conselhos, de boas oportunidades e de Abundância. Cada detalhe não será só um detalhe, Minha Pequena. 
Cada detalhe serei EU. 

Como tua Guia
Como teu Consolo
Como tua Escuta
Como tua Força
Como tua Voz

Unemo-nos... E você verá as Mudanças. 


Diante dessas palavras, todas as mil e tantas questões foram respondidas. 
O cerimonial prosseguiu, e antecedendo cada junção física com Ela, uma voz masculina, com os Elementos em mãos e por sobre minha cabeça, perguntava: 

TENS MEDO???

Ao que eu respondi tão rapidamente, pela primeira vez NESSA VIDA, como se já soubesse aquela resposta de outros tempos, outras eras, como se ela estivesse gravada dentro de mim, automática: 

JAMAIS.

E eu entrava em Sua Presença, em Seu Ser. Me deliciava com segundos que eram décadas de perfeição e bondade, até que Ela me exigia a postura que Ela gosta, e eu voltava a ser o ser que eu Sou. 
E decorridos alguns segundos de êxtase, eu ansiosa por senti-La novamente, quando ele se aproximava, elementos em mãos , e perguntava mais uma vez:

TENS MEDO???

E a resposta era sempre a mesma: 

JAMAIS. 

E eu, em toda essa vida, talvez nunca tinha experimentado tamanha confiança em mim mesma, e em todas as vezes que eu entrei Nela, e Ela entrou em mim, meu Coração era todo... 
 ...
PREPARO.


sábado, 7 de novembro de 2015

Castelo de areia.

Em certo momento, por alguma revelação divina, você descobre como era antes, e se dá conta de como é pouco tudo o que você melhorou até hoje.
Tudo que eu tinha como certeza sobre mim mesma, todos os caminhos que eu imaginava que fossem sólidos apenas por que eu construí, enfileirando pedra por pedra... Tudo isso virou pó no momento que eu percebi como é frágil esta sensação de estabilidade, como é frágil tudo o que eu sei sobre mim mesma.
Sei muito pouco sobre mim, hoje vejo muito mais fragilidade do que eu via antes, e não sei exatamente até que ponto me engano, até que ponto não enxergo minhas forças.
Sonhei comigo, vivendo em outro tempo, e lutando ferozmente para manter em mim a imagem que tenho de mim mesma.
Lembrei que dizia, sofrida e serenamente que aquelas pessoas iam se arrepender muito de tudo o que faziam, mas eu dizia isso pensando no futuro, pensando no trabalho da minha alma imortal, no encontro de todas as almas imortais, onde todas as verdades e erros são revelados.
E quando conseguia um mínimo de paz, perguntava dentro de mim, se alguma das coisas que eu pensava sobre mim eram verdade...
Era a noção que eu tinha de mim mesma, as coisas que eu pensava sobre mim, as venturas que eu tinha absoluta certeza que eu merecia viver é que me levavam adiante mais um dia.
Mas nem sempre era assim. Em alguns momentos, o que me mantinha viva era a obsessão pelo sofrimento. Era o mergulho na dor...
A aceitação da dor...
A culpa pela dor...
Era o sentimento de que eu merecia tudo aquilo, que eu era exatamente o que os outros viam, e não o que eu sentia que era.
Que ironia... Eram a dor e a esperança que me mantinham viva, em momentos alternados...
Agora vejo com mais clareza o quanto a dor tem o papel de nos manter vivos. 
É melhor o mergulho na dor do que o mergulho na morte... Ou na indiferença.
E agora eu vejo... Essa tão frágil auto-imagem, tão delicada,  tão arduamente construída...
Ou será que na verdade, esse tempo todo, era só uma máscara de cristal?

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Cartas pra mim mesma - 1

Tem realidades que machucam tanto a gente...  Acredito cada vez mais que a medida do amor verdadeiro é o sacrifício... Renunciar àquilo que se quer, ainda mais pra uma pessoa egoísta e mimada como eu, não é nada fácil. Mas acho que ser mãe também ajuda...  O que não fazemos por quem amamos?
Eu tinha pensado em coisas tão diferentes pra esse momento, mas ainda estou dominada pela surpresa. É um amor desesperador...  Um amor abnegado que não deixa nem raiva. Acho que parece amor de criança. Acho que me lembra dos meus primeiros sentimentos de gostar. Parece que é mais fácil gostar do que querer possuir. Aliás, acabei de perceber que amar não tem nada a ver com possuir alguém. Apenas dá uma aflição, uma vontade de chorar sem fim. Dá uma aflição, é como ver um pedaço de mim ser arrancado, mas sem sentir muita dor. Fica só a imaginação da dor.
Ah, crionça, vc não imagina o que eu poderia fazer por vc. Eu poderia mudar tanto, eu posso até te dar mais tempo, posso até esperar por você o tempo que for, e o que é mais inédito e mais estranho: eu não sei explicar por que, mas eu não consigo sentir raiva, não consigo te julgar. Só sinto a dorzinha aflitiva. E eu sei que eu doeria e suportaria cada vez mais por você.
Vejo que não existe como  eu limitar os sacrifícios que eu faria por vc.
Como é que eu posso agora compreender o seu tempo, compreender o seu tempo, me rasgar por dentro, e ainda sorrir, só pra você não sofrer ou não se assustar?
Não fica em mim nem um pouco de mágoa. Não fica em mim nem um pouco de sarcasmo ou de ironia.
Só fica amor, só fica compreensão.
Acho que eu nunca conseguiria sentir tanta certeza, sentir tanta tranquilidade sobre um sentimento. Talvez por que hoje eu não sinta mais a necessidade de ser correspondida, não é uma troca. Apenas entrego à você o que já é seu desde antes dessa e de outras existências.
Vc sabe o quanto eu te quero comigo, e sabe o quanto dói dar esse passo atrás.
Eu vou me sacrificando, e o sacrifício não machuca, não fere, apenas dói.
Não existem ferimentos quando o sacrifício é espontâneo.
E hoje, pela segunda vez no mesmo dia, eu percebo o quanto o meu amor por você é forte, é puro, e é construído e solidificado a base de qualquer sacrifício pra que eu esteja PLENA do seu lado.
Eu te amo muito.
Pra sempre.
Do tamanho do infinito.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Os segredos de um coração, e a capa que nos esconde.

Estou sentindo um peso enorme por todas as coisas que meu coração esconde. Nunca concordei moralmente com a ideia de que o coração de uma mulher é um oceano de segredos. Nunca quis que o meu fosse um. Sempre preferi a ideia de ser um livro aberto, mas hoje não dá.
São tantos sentimentos guardados, escondidos, tenho que ser tão polida, tão cordial o tempo todo.
Eu me sinto como alguém que estava num poço, e agora estou debruçada na beira, mas prestes a cair de novo, a qualquer momento.
É como viver em uma redoma, ver tudo, ouvir tudo, mas não conseguir me expressar corretamente. E é bom ficar na redoma, é bom ir ficando invisível.
Talvez esse seja o preço de ser a sua própria e única companhia, mas o fato é que tenho cada vez mais me acostumado a isso.
Não dói mais, não há mais o que perdoar.
Só o coração que se enche, sim, de uma tristeza enorme...  Eu queria tanto dizer o quanto dói não conseguir me abrir, o quando dói quando o coração escolhe permanecer em silêncio.
Eu tinha tantas esperanças de mostrar tudo de mim pra você, como quem mostra todos os truques, como quem se despeja pra o outro...
Mas agora, tal qual o vampiro, só resta me esconder atrás da capa...
Parece que não foi o suficiente, parece que não agrada, parece que são só bobagens minhas...
Tem tanta coisa aqui dentro, eu quis te mostrar, mas vc não quis , não se importou, deixou pra depois...
Agora eu falo através do vidro, agora as mensagens são depuradas, vazias de significado, são frias, não tem a minha exata expressão...
Cada palavra que eu digo hoje tem o burilamento do comum, do normal, daquilo que não te espanta, daquilo que é rotineiro, que é previsível...
Hoje eu prefiro vestir outra pele, outro rosto, outros sonhos...
Deixa tudo o que tem aqui muito bem guardado, só pra mim...
Não penso mais em arco-íris de palavras, nem em bombardeio de cheiros e sorrisos...
Não quero que vc pense que eu ainda sou aquela menina, mesmo ainda sendo.
Eu vou esconder...
Eu vou camuflar...
Não quero mais te desapontar.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Pra você dar o nome ...

A postagem anterior me fez pensar....
E ao ver o seu sorriso, só penso em uma coisa:
Lembra aquele beijo que vc pediu e eu não te dei?
Sim, vc se lembra. Mesmo que finja pra si mesmo que não lembra, vc lembra.
Eu tive que destruir meu coração naquela noite pra que eu conseguisse te dizer não.


"Que de nada adianta esse papo de agora não dá
Que eu te quero é agora
E não posso e nem vou te esperar..."

Engraçado, nesse momento vem tantas coisas na minha cabeça, como por exemplo se vc tem a real noção do quanto me doeu fazer aquilo...
Será que vc tem a real noção do que foi pra mim dizer a você que não queria aquilo, quando na verdade era o que eu mais queria na minha vida, quando era tudo o que eu mais tinha desejado?
Eu nunca quis tanto uma pessoa como eu quis você
Talvez até mesmo por saber que você não me queria.
Mas o fato é: sue sonho se materializa, e vc consegue dizer NÃO.
Eu ainda me pergunto: eu fui forte ou eu fui orgulhosa demais?
O que prevaleceu naquele momento?
Amor próprio?
Amor próprio foi a resposta que eu me dei pra essa pergunta durante muito tempo, durante o tempo em que eu passei sem pensar muito a respeito disso.
Mas passado certo tempo, eu passei a me perguntar: e se eu tivesse dito sim?
E se eu tivesse "saboreado os morangos"?
E se eu tivesse permitido aquele toque?
O que teria sido de nós?
Teríamos assumido o que sentíamos? Por que eu sei que vc também sentia....
Teriamos vivido tudo o que podíamos viver?
Teria sido mágico, teria sido a revolução das nossas vidas?
Teríamos fingido que não tinha acontecido nada? E esse era o meu maior medo: medo de que vc apenas me tocasse uma vez, como quem cede a um impulso, como quem mata uma sede, e depois se afasta.
Acho que travesti meu medo de amor próprio...
Talvez eu me sinta um pouco covarde por isso...
Talvez eu acredite que alguma coisa teria sido diferente se eu tivesse me curvado ao meu sentimento...
Bem, são só achismos.
Nós ficamos com os fatos, e os fatos foram o distanciamento, a raiva em muitos momentos...
A minha opção de seguir a minha vida, mesmo sabendo que seus planos eram outros, mesmo sabendo que o cômodo para você seria me manter ao seu lado, como um cão fiel...
Mas o problema de ser um cão fiel é que na maioria das vezes, o que sobram são migalhas de atenção.
E eu nunca quis migalhas...
Nunca aceitei me humilhar tanto por migalhas.
Eu queria tudo o que vc tinha...
Se a paixão que eu sentia tinha comido meu nome e meu endereço, eu nunca aceitaria menos de você...
Por isso, o que aconteceu foi  que meu orgulho não deixou que eu me entregasse, e foi assim:



Nunca pensei que eu pudesse sorrir
Ao dizer um adeus pra minha sorte
Que estava por vir
Uma ilusão pra me transformar

Nunca achei que eu pudesse te ouvir
Dizendo um adeus pro teu sonho
Que estava por vir
Uma aflição ter que esperar
Um sonho em vão

E agora o que eu faço depois de sorrir
Com teu sonho incapaz de me ouvir
Me acorde e depois se vá
Deixa eu te reparar como uma invasão

O tempo é que vai passar
A gente só vai rodar
Na mesma ilusão de recomeçar
Jogue tudo pro ar eu estou a flutuar
Na sua ilusão fácil de alcançar

Nos distanciamos, vivemos praticamente em outras encarnações, mas é bom que saibas que eu quis, sim... quis muito e acho que você sabe.  Mas tive medo de acabar, ou tive medo de ser apenas um apertar de mãos, ou tive medo de você não me amar como eu te amava.
Mas eu quis, sim...